Hoje pretendo dar uma vertente diferente a um fato histórico. Eram 5 horas da manhã do dia 27 de dezembro de 1864. Baixou a cerração, as sentinelas do forte avistaram os vapores paraguaios a uma légua à jusante daquele ponto. Por ordem do tenente-coronel Hermenegildo Albuquerque Portocarrero, as posições foram ocupadas. Cerca das oito horas e trinta minutos, Portocarrero recebeu a intimação de Vicente Bárrios para render-se, conforme consta da Revista Militar Brasileira, edição dedicada ao Bicentenário do Forte de Coimbra.
Neste momento Portocarrero respondeu, por escrito, que, “a não ser por ordem superior, só entregaria o forte pela sorte das armas”. Depois disso, a força paraguaia, desembarcando elementos da infantaria e duas baterias de artilharia, na margem esquerda do rio, avançou, coberta pelo mato, tomando posição, na fralda do morro da Marinha. Não foram felizes na escolha do local, porque, se estavam fora de alcance das bocas de fogo da Coimbra, suas armas não o atingiam. Cerca das 10h30min, o 1º Tenente Balduíno, comandante da canhoneira Anhambaí, num golpe de audácia, desceu o rio e abriu fogo contra o inimigo que se aproximava. Posteriormente, colocou-se de maneira que pudesse auxiliar o forte.
Por volta das 11 horas, a esquadra paraguaia iniciou o bombardeio. Entretanto, o local em que se encontravam as peças, era desfavorável: os tiros se tornaram inócuos. A infantaria aproximava-se para o assalto. O forte aguardava a oportunidade para usar as armas. No momento adequado, rompeu a fuzilaria, e a luta prolongou-se até às 19 horas. Os atacantes, repelidos em suas tentativas de assalto retiraram-se e reembarcaram, deixando mortos e feridos, no campo de batalha.
Terminada a jornada, dos 12.000 cartuchos existentes no forte, restavam 2.500. Nessa noite, 27 para 28, contou Portocarrero com o heroísmo de 70 mulheres, homiziadas naquele local, entre as quais sua esposa Dona Ludovina Alves Portocarrero, que se prontificaram, a fabricar cartuchos para o dia seguinte, lançando mão de balas de adarme 17. Com martelos, pedaços de cano e pedras, tornaram o material utilizável ao calibre das carabinas. Dessa forma, produziram mais 6.000 cartuchos. Naquele momento aquela parte do Brasil voltava a ser nosso. Neste exemplo, vemos desprendimento, e o valor da mulher, que, nos momentos difíceis, não vacila, não recua, no amor que acredita. E não titubeia, não sente tergiversar, pernóstica ou rubicunda; pra falar “Eu te Amo”.
Reiniciou-se a luta, dia 28, pelo fogo, na parte da manhã; à tarde, tentativas de assalto de infantaria. Oito paraguaios transpuseram o parapeito do forte: sete foram mortos e um prisioneiro. Os assaltos de infantaria dos 6º e 7º batalhões realizaram-se aos gritos desordenados de "renda-se", e imprecações, respondidas pelo brasileiros com outras e "vivas". O inimigo que, em cada carga, chegava ao parapeito, repelido a baioneta, granada, e muitas vezes, tinha as mãos decepadas, ao tentar a escalada. Às 19 horas, os paraguaios retiraram-se para perto de seus navios.
Nessa ocasião, Portocarrero enviou 02 patrulhas para o entorno do forte, uma dirigida pelo Capitão Conrado e outra pelo Tenente Oliveira Mello, para explorarem o terreno vizinho, recolhendo armas e inimigos feridos, (18 feridos e 86 armas). Assim, com este texto gostaria de exaltar a força e o valor da mulher na história; na pessoa de Ana Ludovina Alves de Oliveira nascida a 08 de novembro de 1828, em Corumbá/MS, tendo recebido depois como honraria o título de Baronesa do Forte de Coimbra. É dessa garra e energia que Mato Grosso do Sul precisa para reavivar o ânimo e ombreando aos homens de bem, galgar definitivamente os degraus do desenvolvimento, no momento que se aproxima pós-pandemia e início de vacinação. E a certeza da frase: "Perto de um grande homem apoiando e revigorando suas conquistas, sempre há uma maravilhosa mulher, que muitas vezes nem aparece, mas está lá sempre fazendo curativos em suas feridas, apoiando ou simplesmente sendo motivo de sua vida, e parece que algo nos faz esquecer de quem nos ajudou, de quem nos acolheu.
Deve ser triste a vida do ingrato. Tanta gente ON com coração OFF. Muito TOUCH na tela e pouco toque na pele, muita busca no facebook e o mínimo de olhar face a face. Um dia desses recebi um e-mail retrucando meus poemas e dizia: Só lhe vejo falando de amor. Sim eu falo mesmo. Ligo a televisão, abro o jornal é dor, se recebo um telefonema, é dor. Então deixa-me falar de amor. Nós não precisamos dividir um endereço, precisamos dividir projetos de vida. E agradecer...sempre agradecer. Por isso agradeço as mulheres que leram meus poemas algum dia. Agradeço a minha mãe, a primeira mulher que conheci, Ela que foi a pé, sol a pino; até a maternidade para que eu pudesse abrir os olhos. Ela que teve de capinar quintais na enxada para que pudessem ser comprados medicamentos para aliviar minhas chagas. E da mesma forma minhas professoras, principalmente as primeiras. Aquelas que abriram as portas dos prolegômenos das letras, para que eu as abraçasse e as roubasse como se fossem minhas, e pudesse usá-las ao meu bel prazer e assim atingir, com este, os meus 1367 artigos. Assim foi com minha mãe, que por motivos divinos, não pode acompanhar minha carreira de poeta, nem de articulista; nem de contador de histórias; mas que aonde estiver, tenha a certeza que o que eu escrevo vai mais longe do que minha voz e principalmente porque: “Do teu ventre, eu absorvi a mais pura poesia do teu leite quente e denso, força. E da tua alma forte e tenaz... sabedoria!”. Não pretendo esperar 08 de março para homenageá-las. A pele tem memória, ela não esquece um afago desconcertante e o resultado do que fazemos...nos espera um pouco adiante!
*Articulista
Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Jornal da Nova
Cobertura do Jornal da Nova
Quer ficar por dentro das principais notícias de Nova Andradina, região do Brasil e do mundo? Siga o Jornal da Nova nas redes sociais. Estamos no Twitter, no Facebook, no Instagram, Threads e no YouTube. Acompanhe!






